quinta-feira, 29 de outubro de 2009

um dia


Um dia sento-me ali e fico à espera.

low life

Tenho os olhos em cima das pálpebras, descanso por dentro, continuo alerta, sinto os cheiros que me circundam, disfarço,não estou aqui, ou pelo menos os outros não me vêm.
Respiro o menos possível, dilato os poros o menos possível, mas tenho fome... tenho de mendigar.
As pessoas afastam-se quando me aproximo, nem preciso de ir muito perto, não tenham medo, não faço mal!
Raios, ninguém, nada?
Não é para a droga, é para continuar a bater com o coração na alucinação!
Porra, a fome é a minha droga, vou beber para entorpecer, talvez caia para o lado, rápido, não quero sentir nada, ofereço o meu corpo aos esfomeados como eu...ah ah ah
Acho que não estou bem, mas eu nunca estive bem! Porque respiro? Não vale a pena, não contribuo para o desenvolvimento de nada útil, a não ser de pequenos parasitas como eu que se desenvolvem na minha pele! Ah ah ah!

Ah, ah ah ah ah, ai, ai, afinal fumava um charro, porra, vou-me enrolar até asfixiar, não aguento.
Não aguento!!!!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

poema

Hoje dava-me jeito um poema, daqueles que têm tudo lá dentro, até soluções metafísicas abarcam!
Ou uma citação, do Oscar Wilde ou da vizinha de baixo, é irrelevante!
Às vezes basta uma pequena frase e tudo volta ao eixo...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

só mais um

Só mais um dia de sol, cheio de calor e falta de amor!
Agora não tenho motivos para estar melancólica, a chuva sempre dava um empurrão, agora o sol desafia os meus olhos, obriga-me a enrrugar à volta deles.
Não estou á espera de nada. o tempo passa e continuo aqui, sem nada. Vomito palavras sem sentido, aleatórias, actividade que gosto de praticar.
Sonho com famílias felizes, portanto minto a mim mesma; imagino-me "normal" enquadrada no padrão de normalidade do século passado, trabalho, tenho filhos e um marido fantástico, temos empregada que vem todas as manhãs e arruma tudo, quando chegamos a casa ao fim da tarde está tudo fantástico e o jantar pronto! A hora de jantar é perfeita, conversamos sobre todos os assuntos do dia, a escola dos miúdos, o trabalho, planeamos fins de semana cheios de belas actividades! Somos tão felizes!
O meu marido é fantástico, super meigo e atrevido quando é preciso! Gosta de me surpreender, sabe que gosto, não suporto monotonia!

Blargh! Que raio de vida, deixo-me de ilusões e de inventar vidas "perfeitas"!

Eu que tenho medo de compromissos, dou-me ao luxo de sonhar com algo que, tenho a certeza, se fosse real não me iria satisfazer de qualquer modo!
Sou assim, nada está bem, pode caminhar para isso, mas arranjo sempre uma pedra no caminho a que chamo insatisfação.
Acho sempre que devia ser melhor, não sei como, mas mehor!
Por isso é que estou no meu canto, sozinha, mas cheia de amigos a quem chamo de família.
Esta é a minha família. Tomo consciência disso agora mesmo, exacto, ah que bom perceber que é possível ser feliz!
Ah como continuo a mentir, mas não se preocupem que é só a mim!

sábado, 24 de outubro de 2009

minutos

Resta-me alguns minutos, usei-os para baralhar os outros que amo e consequêntemente a mim!
Mas a distância permite-me estas brincadeiras, estes amores e paixões, que magoam como se estivessem à porta.
E quando me confrontar com eles? Farei o que sempre faço certamente, fujo, digo que é impossível continuar a alimentar, algo que eu realmente alimentei!
E depois continuo a fazer o mesmo, porque a distância destrói mas protege! E como dói ser cruel...

Desculpo-me porque se não fossem os sentimentos não saberia o que são as emoções!
Mas os outros encontraram o seu caminho enquanto eu me cruzarei no passeio com fururas ilusões.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

tempo

Não penso, deixo-me levar, esta ilusão que algo poderá mudar o dia de amanhã, que eu poderei mudar amanhã!
Os dias passam e por vezes nem respiram, é só mais uma folha de calendário arrancada, imagem que nos persegue, exacta, precisa.
Mas será que eu quero mudar, será que um dia vou arriscar a tomar uma atitude consciente?
Que irritação, a palavra consciente.
Demente, gosto mais!
Deixo-me levar pela chuva, pelo sol, pelas flores que nascem, pelo universo romântico da literatura, pelas paixões e seus turbilhões...
Já tinha idade para...para...sei lá! Quem atribui a idade para?
Gosto de olhar, e guardar cá dentro, as sensações, as tensões sem definições.
Que raio de mundo este, exigente, que me desgasta os ossos, que me dá dores nas pálpebras quando o que quero é ir ali e voltar já, sem consequência nem desgosto!
Tenho medo, por isso avanço, e o que se me aparece nem sempre é mais claro, que angústia não saber o que vem aí...
Fico por aqui, não dói!

o canto

Finalmente um canto há muito desejado, onde as palavras podem ganhar diferentes formas.
Por vezes dançar, saltar, vomitar, ou simplesmente cuspir. As palavras têm vida...