Há tanto tempo que não vinha aqui, é como voltar a abrir um cofre onde guardamos certas recordações que não queremos que mais ninguém veja.
Se estou aqui é porque tenho uma necessidade gigantesca de desabafar, é porque afinal o sol já não brilha tanto, e o arco-íris que vislumbrei não era real.
Parece que não há sossego para mim, escolhas não muito certeiras, níveis que tenho de ultrapassar, para que? Se não sei o que esta do outro lado do arco-íris?
A ilusão era já de si complicada, mas cheirava sempre a felicidade, a esperança, mas a realidade trouxe a verdade e deitou tudo por terra...rastejo, confusa ,luto comigo, e isso é o mais grave e estúpido, a minha consciência a lutar com os meus neurónios, a tentar neutralizar o complicómetro, que agora esta descontrolado, estamos os dois descontrolados.
Perdida no tempo e no espaço, levada pelo vento rodopio ate ganhar cada vez mais velocidade e me transformar num tornado. Já não sei se tenho capacidade para acreditar em utopias. e aquenta-las durante anos na esperança do pote de ouro.
Esta tudo confuso aqui.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
cheiro
Estou numa sala com paredes brancas, bancos de correr modernos, ao centro um caixão e tu lá dentro repousas o que resta do teu corpo, a aparte material.
A familia vai aparecendo, algumas pessoas não conheço, outras não reconheço.Eu converso com as minhas irmãs, já não as vejo à algum tempo, até nos rimos com algumas histórias.
Mas o motivo que nos leva a este encontro é de recolhimento emocional.
Quando fico sózinha naquela sala, olho á distancia para o teu corpo, tens o rosto desfigurado, os lábios de um vermelho nada natural,há algumas flores à tua volta, ouvi dizer que te tinham posto um terço à volta das mãos, mas disseram aos senhores da funeraria para o tirar.Não querias referencias religiosas e não as tiveste podes estar descansado.
Eu não choro, respiro a calma da sala vazia, começo a pensar que estranho é estar numa sala com um corpo morto em decomposição. Inspiro profundamente á procura de um cheiro diferente, o teu cheiro e chego à conclusão que as flores só lá estão para misturarem os cheiros. Algumas emanam um cheiro horrivel, desagradavel, nojento. Mas eu não saio dali, fico a pensar que o teu espirito esta bem longe, a fazer o percurso enumerado por Socrates no livro Fedon de Platão.
Uma vez conversamos sobre a teoria das almas, e foi reconfortante saber que o teu lado espiritual estava bem entregue.
Não importa se concordo ou não, tu achas que é assim e é assim que é.
Insisto no facto de estar a respirar os odores libertados pelo teu corpo, e isso faz-me confusão. Apetece-me sair dali, mas isso implica ter de confraternizar com familiares que olham de lado, ou eu é que os olho de lado e não me apetece nada ser hipocrita.
Eu sei muito bem ser hipocrita, mas neste momento quero sossego.
Vou-me embora com o que resta de ti agarrado às minhas narina, tenho-te entranhado na minha memória e agora sim, tenho vontade de chorar, ou melhor, nem tenho tempo para ter vontade, choro copiosamente.
A familia vai aparecendo, algumas pessoas não conheço, outras não reconheço.Eu converso com as minhas irmãs, já não as vejo à algum tempo, até nos rimos com algumas histórias.
Mas o motivo que nos leva a este encontro é de recolhimento emocional.
Quando fico sózinha naquela sala, olho á distancia para o teu corpo, tens o rosto desfigurado, os lábios de um vermelho nada natural,há algumas flores à tua volta, ouvi dizer que te tinham posto um terço à volta das mãos, mas disseram aos senhores da funeraria para o tirar.Não querias referencias religiosas e não as tiveste podes estar descansado.
Eu não choro, respiro a calma da sala vazia, começo a pensar que estranho é estar numa sala com um corpo morto em decomposição. Inspiro profundamente á procura de um cheiro diferente, o teu cheiro e chego à conclusão que as flores só lá estão para misturarem os cheiros. Algumas emanam um cheiro horrivel, desagradavel, nojento. Mas eu não saio dali, fico a pensar que o teu espirito esta bem longe, a fazer o percurso enumerado por Socrates no livro Fedon de Platão.
Uma vez conversamos sobre a teoria das almas, e foi reconfortante saber que o teu lado espiritual estava bem entregue.
Não importa se concordo ou não, tu achas que é assim e é assim que é.
Insisto no facto de estar a respirar os odores libertados pelo teu corpo, e isso faz-me confusão. Apetece-me sair dali, mas isso implica ter de confraternizar com familiares que olham de lado, ou eu é que os olho de lado e não me apetece nada ser hipocrita.
Eu sei muito bem ser hipocrita, mas neste momento quero sossego.
Vou-me embora com o que resta de ti agarrado às minhas narina, tenho-te entranhado na minha memória e agora sim, tenho vontade de chorar, ou melhor, nem tenho tempo para ter vontade, choro copiosamente.
domingo, 15 de novembro de 2009
A falta que não me fazes
Foi no dia em que lhe atirei terra para cima que percebi que não és nada.
Há realmente quem mereça os meus "sacrifícios", mas tu esgotas-te todos os créditos que te foram oferecidos de bandeja.
Mete-me nojo o tempo em que estive a teu lado, tenho vergonha do que presenciei e tolerei.
E dizia eu que te amava, blargh, que palavra tão mal empregue. Fui prisioneira do teu jogo de sedução e dominação, fiquei paralisada, sem capacidade de acção, fizeste com que os meus órgãos internos definhassem, mirrassem. o sangue deixou de correr em mim...E fiz coisas, fiz coisas das quais me envergonho para o resto da minha vida e para que? Nada, nada se aproveitou, foi tudo falso, desde o primeiro sorriso, aquele quando ainda era-mos adolescentes.
Aceitei tudo, entendi tudo mas, desculpa, não te desculpo.
E um belo dia voltei a sorrir, já não é um sorriso inocente, eu sei e sinto, mas no dia em que lhe atirei terra para cima voltei a ser eu.
Há realmente quem mereça os meus "sacrifícios", mas tu esgotas-te todos os créditos que te foram oferecidos de bandeja.
Mete-me nojo o tempo em que estive a teu lado, tenho vergonha do que presenciei e tolerei.
E dizia eu que te amava, blargh, que palavra tão mal empregue. Fui prisioneira do teu jogo de sedução e dominação, fiquei paralisada, sem capacidade de acção, fizeste com que os meus órgãos internos definhassem, mirrassem. o sangue deixou de correr em mim...E fiz coisas, fiz coisas das quais me envergonho para o resto da minha vida e para que? Nada, nada se aproveitou, foi tudo falso, desde o primeiro sorriso, aquele quando ainda era-mos adolescentes.
Aceitei tudo, entendi tudo mas, desculpa, não te desculpo.
E um belo dia voltei a sorrir, já não é um sorriso inocente, eu sei e sinto, mas no dia em que lhe atirei terra para cima voltei a ser eu.
Hoje elas caiem
Afinal sempre tinha umas lágrimas guardadas para estes infelizes momentos especiais.
Parece que enquanto sabemos que te podemos ver, a qualquer dia,a qualquer hora, nada perturba a nossa rotina, para quê tinhas de escangalhar tudo? Ah?
Agora estou estupidamente triste, e elas começaram a rolar à mínima lembrança de ti.
Já não me chegava o vazio causado por ela, agora tu tinhas de fazer o mesmo.
Tenho tantas saudades de quem não está cá, às vezes parece que a vejo, o seu sorriso, oh era tão doce a minha menina...
Cá estão elas novamente a deslizarem pelo meu rosto. Que estranho já não me acontecia há tanto tempo que pensei que estava seca. Ou então aprendi a usá-las em quem realmente merece.
Como é possível está dor horrível no estômago, sinto que perdi as minhas muletas, quem me ampara a queda agora, onde estão as palavras sábias?
Ok, lembrei-me, " os fracos de espírito choram desesperados pela matéria que vêem em frente, os elevados ajudam o espírito a seguir o seu caminho."
Obrigada avô, vou ver se não me esqueço!
Parece que enquanto sabemos que te podemos ver, a qualquer dia,a qualquer hora, nada perturba a nossa rotina, para quê tinhas de escangalhar tudo? Ah?
Agora estou estupidamente triste, e elas começaram a rolar à mínima lembrança de ti.
Já não me chegava o vazio causado por ela, agora tu tinhas de fazer o mesmo.
Tenho tantas saudades de quem não está cá, às vezes parece que a vejo, o seu sorriso, oh era tão doce a minha menina...
Cá estão elas novamente a deslizarem pelo meu rosto. Que estranho já não me acontecia há tanto tempo que pensei que estava seca. Ou então aprendi a usá-las em quem realmente merece.
Como é possível está dor horrível no estômago, sinto que perdi as minhas muletas, quem me ampara a queda agora, onde estão as palavras sábias?
Ok, lembrei-me, " os fracos de espírito choram desesperados pela matéria que vêem em frente, os elevados ajudam o espírito a seguir o seu caminho."
Obrigada avô, vou ver se não me esqueço!
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
só isto

Dei conta que a "felicidade" de certas pessoas não me faz rejubilar!
Egoísmo? Não! Mas saber que eu tinha razão faz-me pensar, e obriga-me a não descurar os meus instintos.
Instintos ou previsibilidade, pois parece que se estivermos atentos conseguimos perceber o que acontece a seguir.
Não falo de prever o futuro, mas a lógica existente em determinadas situações e o seu natural desenrolar.
Até hoje nunca me enganei, as suspeitas que tinha foram sempre confirmadas, mais cedo ou mais tarde.
Às vezes "odeio-me" por não ter confiado em mim.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
low life
Tenho os olhos em cima das pálpebras, descanso por dentro, continuo alerta, sinto os cheiros que me circundam, disfarço,não estou aqui, ou pelo menos os outros não me vêm.
Respiro o menos possível, dilato os poros o menos possível, mas tenho fome... tenho de mendigar.
As pessoas afastam-se quando me aproximo, nem preciso de ir muito perto, não tenham medo, não faço mal!
Raios, ninguém, nada?
Não é para a droga, é para continuar a bater com o coração na alucinação!
Porra, a fome é a minha droga, vou beber para entorpecer, talvez caia para o lado, rápido, não quero sentir nada, ofereço o meu corpo aos esfomeados como eu...ah ah ah
Acho que não estou bem, mas eu nunca estive bem! Porque respiro? Não vale a pena, não contribuo para o desenvolvimento de nada útil, a não ser de pequenos parasitas como eu que se desenvolvem na minha pele! Ah ah ah!
Ah, ah ah ah ah, ai, ai, afinal fumava um charro, porra, vou-me enrolar até asfixiar, não aguento.
Não aguento!!!!
Respiro o menos possível, dilato os poros o menos possível, mas tenho fome... tenho de mendigar.
As pessoas afastam-se quando me aproximo, nem preciso de ir muito perto, não tenham medo, não faço mal!
Raios, ninguém, nada?
Não é para a droga, é para continuar a bater com o coração na alucinação!
Porra, a fome é a minha droga, vou beber para entorpecer, talvez caia para o lado, rápido, não quero sentir nada, ofereço o meu corpo aos esfomeados como eu...ah ah ah
Acho que não estou bem, mas eu nunca estive bem! Porque respiro? Não vale a pena, não contribuo para o desenvolvimento de nada útil, a não ser de pequenos parasitas como eu que se desenvolvem na minha pele! Ah ah ah!
Ah, ah ah ah ah, ai, ai, afinal fumava um charro, porra, vou-me enrolar até asfixiar, não aguento.
Não aguento!!!!
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